Neste dia 12 de junho, Dia dos Namorados, participo de uma noite incrível no Sesc Pompéia: Os Roqueiros também amam. Divido o palco com gente que já cantou e tocou um bocado por aí… Marcelo Nova, Clemente, Wander Wildner e mais uma galera que muito me orgulho.
O repertório, como não poderia deixar de ser, baseia-se em músicas que têm como tema principal o amor. Correspondido, desiludido, feliz ou amargurado, ele faz parte da vida de todos nós.
Robertão já disse muito sobre o amor, e parafraseando suas palavras, será de sua melhor fase uma das músicas que canto amanhã:
Foi uma noite longa. Dessas que fazem você pensar que durou anos, dada a velocidade com que uma palavra engata na outra. E numa música. E num filme. E num sorriso. E quase termina em um parque em uma manhã de domingo.
Algumas noites depois, a distância mal calculada de um sussurro permitiu um leve toque que impiedosamente liquidou o resto do mundo por alguns segundos. Mas ok, o mundo ainda estava lá, pronto pra ser atingido se o pára-quedas falhasse.
Porém, quatro noites depois, o resto do mundo deixou de existir. E o pára-quedas também. E a chuva caiu para regar as sementes espalhadas pelo chão.
E se passou mais uma noite. E outra. E outras.
Até que o sol raiou, trazendo luz aos fatos e o uivo doído do cão da casa ao lado.
Banho longo, sal grosso, roupa branca. Uma boa dose de esperança e voilá! Começava a festa.
A TV ligada (quase) não deixava margem para olhares constrangidos. Aquelas pessoas estavam ali há horas e, embora compartilhassem um mesmo sobrenome, eram praticamente estranhos.
Estávamos em mais uma das reuniões familiares que, por terem se tornado uma convenção anual de fofocas e maledicências, pouco mantinham o propósito original de harmonia. Ora via-se um tio alcoolizado erguer a taça em brinde, ora ouvia-se o estilhaçar de uma garrafa em meio a gritos e desaforos. Não se pode negar: tudo era colocado em pratos limpos, para o bem ou para o mal.
A menina observava tudo silenciosamente com os restos de ilusão. E o cachorro se escondia atrás do sofá com os restos de churrasco.
E tudo começou com a promessa de calmaria. Mas não é preciso muito para convencê-la do contrário. Se a idéia era permanecer atenta a si, talvez o melhor fosse escapar da realidade para um lugar bastante distante. Consigo. Bem que tentou, mas seu corpo ainda estava presente.
Intensidade. Era essa a sensação que buscava e que finalmente conseguira. Não, não imaginara que a franqueza seria indolor, mas talvez tenha se esquecido que machucar os outros é uma faca de dois gumes.
Finalmente, viu sangue de barata. E não se parecia nada com o que corre em suas veias.
Seus olhos se fecharam ao sentir a fumaça, o café realmente estava quente. Apesar da tentação de tomá-lo de uma vez, preferiu o café morno por ser muito mais saboroso. “Pleasure delayer”, sorriu ao lembrar-se de Vanilla Sky, um de seus filmes preferidos.
Era uma dessas manhãs nubladas, regada a suores negros e perspectivas obscuras. O futuro era uma incógnita, mas o presente lhe dava a certeza de que cada segundo valeria a pena.
O asfalto despedaçado e a estrada mal sinalizada lhe davam náuseas. Sempre teve enjôo ao ler enquanto dirigia, mesmo que fossem manchetes na capa da revista estampada na banca. Decidiu então que o certo seria abastecer, descansar um pouco, retomar o fôlego.
A viagem estava só começando e o sol ameaçava despontar, na promessa de um céu azul.
Un día me voy a ir
Y no volveré jamás
Prefiero la soledad
A vivir sin mi verdad.
Un día me voy a ir
Seguro me extrañarás
Como el ave de ciudad
Se va buscando la mar.
Porque al final
Aunque esté feliz aquí
Debo emigrar
A un lugar lejos de ti
No me entiendas mal
Que no es cosa de los dos
Parece el final, pero es mi principio.
Un día me voy a ir
y no volveré jamás.
Prefiero la soledad
A vivir sin mi verdad.
Porque al final
Aunque esté feliz aquí
Debo emigrar
A un lugar lejos de ti
No me entiendas mal
Que no es cosa de los dos
Parece el final, pero es mi principio
No me entiendas mal
que no es cosa de los dos
Parece el final, pero es mi principio.
Un día me voy a ir
Y no volveré jamás
Prefiero la soledad
A vivir sin mi verdad.