Réveillon
Banho longo, sal grosso, roupa branca. Uma boa dose de esperança e voilá! Começava a festa.
A TV ligada (quase) não deixava margem para olhares constrangidos. Aquelas pessoas estavam ali há horas e, embora compartilhassem um mesmo sobrenome, eram praticamente estranhos.
Estávamos em mais uma das reuniões familiares que, por terem se tornado uma convenção anual de fofocas e maledicências, pouco mantinham o propósito original de harmonia. Ora via-se um tio alcoolizado erguer a taça em brinde, ora ouvia-se o estilhaçar de uma garrafa em meio a gritos e desaforos. Não se pode negar: tudo era colocado em pratos limpos, para o bem ou para o mal.
A menina observava tudo silenciosamente com os restos de ilusão. E o cachorro se escondia atrás do sofá com os restos de churrasco.


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