Há mar
Abriu os olhos por uma fração de segundos. O sol não permitiu mais que isso. O azul do céu era tão intenso que qualquer desavisado diria que estava um dia lindo. Não para ele, que tinha uma tempestade dentro de si.
A areia fofa estava confortável o suficiente para que ele não quisesse levantar e enfrentar mais aquele dia. Tentou novamente erguer a cabeça e olhar à sua volta: entre guarda-sóis e baldes coloridos, milhares de asteriscos somavam-se à cena para lembrá-lo que passou da conta mais uma vez na noite anterior. Que remédio? Era o único momento do dia em que conseguia alguma paz.
Vagarosamente se levantou e levou sua desordem para o mar. Um mergulho faria bem, a água gelada o ajudaria a despertar. Entrou, nadou, pulou e brincou como um menino. O menino que ele não enxergava mais, mas sabia que era parte dele. Ainda.
Na volta para a areia, ela passou. Era mais estonteante que o gin que o acompanhava havia semanas. Sorriu para ele, que sorriu de volta enquanto finalmente percebia que sempre há uma nova onda para substituir aquela que morreu na praia.



espetacular! ALTAMENTE!
Lindo! Nada como uma onda após a outra…
É o auge, isinha!