Há mar

Sábado, 3/Outubro/09 § 3 comentários

Abriu os olhos por uma fração de segundos. O sol não permitiu mais que isso. O azul do céu era tão intenso que qualquer desavisado diria que estava um dia lindo. Não para ele, que tinha uma tempestade dentro de si.

A areia fofa estava confortável o suficiente para que ele não quisesse levantar e enfrentar mais aquele dia. Tentou novamente erguer a cabeça e olhar à sua volta: entre guarda-sóis e baldes coloridos, milhares de asteriscos somavam-se à cena para lembrá-lo que passou da conta mais uma vez na noite anterior. Que remédio? Era o único momento do dia em que conseguia alguma paz.

Vagarosamente se levantou e levou sua desordem para o mar.  Um mergulho faria bem, a água gelada o ajudaria a despertar. Entrou, nadou, pulou e brincou como um menino. O menino que ele não enxergava mais, mas sabia que era parte dele. Ainda.

Na volta para a areia, ela passou. Era mais estonteante que o gin que o acompanhava havia semanas. Sorriu para ele, que sorriu de volta enquanto finalmente percebia que sempre há uma nova onda para substituir aquela que morreu na praia.

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