Um bom dia

Domingo, 22/Janeiro/12 § 1 Comentário

Acordar.
Olhar para o lado.
Deixar um sorriso escapar.
Voltar a dormir.

Teu grande amor

Segunda-feira, 7/Fevereiro/11 § 4 comentários

E foi assim que eu te conheci: um sorriso no rosto, um amargo no peito, um vazio nas mãos.

Disse a mim que perdeste um amor. Teu grande amor. Mesmo assim, não se sentia infeliz. Mesmo sem compreender, concordei.

Concordei porque não pude dizer não a nada que vinha de você. Seu olhar me invadiu, sua voz me encantou.

Me entreguei como em uma ilha deserta. Fiz a escolha certa. Te tornei um pedaço de mim, e agora sim, pude entender: desde então, me fiz teu grande amor.

Coadjuvante

Segunda-feira, 10/Janeiro/11 § Deixe um comentário

Saio de casa e não olho pra trás.
Sinto no rosto o frescor
de tantos lugares que me vêem passar.
Deixo meu rastro pra não me achar.

Cenas  que mudas dançam pelo ar.
Assisto atenta ao seu show.
Os figurantes se vêem estrela,
mas o espetáculo só tem um ator.

Quiero que sea eterno

Sexta-feira, 15/Outubro/10 § 2 comentários

Sempre que penso em como não me afastar de você, penso em liberdade. Talvez eu devesse estar agora tentando entender motivos. De todos os sins, de todos os nãos. Mas a tua ausência é a evidência da minha integridade. Meu bem-estar é o sintoma da minha plenitude. E nossa saudade é fruto de um amor que foi, mas que também sempre será.

Há mar

Sábado, 3/Outubro/09 § 3 comentários

Abriu os olhos por uma fração de segundos. O sol não permitiu mais que isso. O azul do céu era tão intenso que qualquer desavisado diria que estava um dia lindo. Não para ele, que tinha uma tempestade dentro de si.

A areia fofa estava confortável o suficiente para que ele não quisesse levantar e enfrentar mais aquele dia. Tentou novamente erguer a cabeça e olhar à sua volta: entre guarda-sóis e baldes coloridos, milhares de asteriscos somavam-se à cena para lembrá-lo que passou da conta mais uma vez na noite anterior. Que remédio? Era o único momento do dia em que conseguia alguma paz.

Vagarosamente se levantou e levou sua desordem para o mar.  Um mergulho faria bem, a água gelada o ajudaria a despertar. Entrou, nadou, pulou e brincou como um menino. O menino que ele não enxergava mais, mas sabia que era parte dele. Ainda.

Na volta para a areia, ela passou. Era mais estonteante que o gin que o acompanhava havia semanas. Sorriu para ele, que sorriu de volta enquanto finalmente percebia que sempre há uma nova onda para substituir aquela que morreu na praia.

ha-mar

Flores azuis

Terça-feira, 21/Julho/09 § 1 Comentário

Certa vez, muitos anos atrás, eu quis encher uma casa de flores. Entre margaridas, rosas e tantas outras desconhecidas minhas, estavam elas ali: as flores azuis.

Depois, já aqui na casinha, nem me lembrava que eram minhas vizinhas. Dia desses, me dei conta. E não eram mais nada além de flores azuis.

Dias e noites

Quarta-feira, 10/Junho/09 § 2 comentários

Foi uma noite longa. Dessas que fazem você pensar que durou anos, dada a velocidade com que uma palavra engata na outra. E numa música. E num filme. E num sorriso. E quase termina em um parque em uma manhã de domingo.

Algumas noites depois, a distância mal calculada de um sussurro permitiu um leve toque que impiedosamente liquidou o resto do mundo por alguns segundos. Mas ok, o mundo ainda estava lá, pronto pra ser atingido se o pára-quedas falhasse.

Porém, quatro noites depois, o resto do mundo deixou de existir. E o pára-quedas também. E a chuva caiu para regar as sementes espalhadas pelo chão.

E se passou mais uma noite. E outra. E outras.

Até que o sol raiou, trazendo luz aos fatos e o uivo doído do cão da casa ao lado.

Where Am I?

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